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A jornada para a conclusão da Usina Termonuclear de Angra 3 atingiu um marco de maturidade e rigor técnico com a recente análise do Tribunal de Contas da União (TCU), consolidada no Acórdão nº 181/2026-Plenário. Como sócio do escritório Perilo, Costa, Fregapani & Palma, que acompanhou de perto as discussões, entendo que o diálogo com a Corte de Contas não representou um freio, mas sim um catalisador para aprimorar a governança e a eficiência de um projeto que é, em sua essência, estratégico para o futuro energético do Brasil.
Muitas vezes, a importância de Angra 3 se perde em meio a discussões técnicas. É fundamental recordar o que ela representa na prática: uma fonte de energia com capacidade de 1.405 MW, operando com 90% de disponibilidade e total previsibilidade, independentemente de chuvas ou ventos. Essa energia firme é capaz de abastecer simultaneamente grandes capitais do país, beneficiando diretamente milhões de brasileiros e adicionando um reforço de 7,2% à capacidade de armazenamento da Região Sudeste.
Nas palavras do Ministro relator do Processo no TCU, Jhonatan de Jesus, “a implantação da UTN Angra 3 tem potencial para evitar congestionamentos e reduzir o risco de apagões, além de representar papel relevante nos estudos de planejamento da operação do Operador Nacional do Sistema (ONS), consolidando sua relevância socioeconômica para o país.”
Em um país que já enfrentou crises energéticas, a contribuição de Angra 3 para mitigar riscos de apagões e garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional é um ativo de valor inestimável.
O processo de fiscalização do TCU, praxe em grandes obras públicas, focou em refinar o orçamento de referência para a contratação da empresa que finalizará a usina. As recomendações para ajustar a composição da taxa de BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), atualizar cotações de preços e estudar a implementação de tecnologias avançadas como o BIM (Building Information Modeling) foram recebidas pela Eletronuclear como contribuições valiosas. Este é um processo de aprimoramento contínuo, alinhado às melhores práticas de gestão e à própria jurisprudência do TCU, que historicamente zela pela correta aplicação dos recursos públicos.
Este intercâmbio técnico com o TCU fortalece o projeto. Ele assegura que a retomada das obras ocorra sobre bases financeiras e contratuais ainda mais sólidas, conferindo segurança jurídica não apenas para a Eletronuclear, mas para os futuros parceiros e agentes financiadores. Demonstra, acima de tudo, um compromisso inabalável com a economicidade e a eficiência.
A Eletronuclear agora deverá se dedicar a incorporar essas melhorias no edital de licitação, que deverá ser lançado em breve. O caminho para a conclusão de Angra 3 está mais claro e seguro.
O que emerge deste processo é a certeza de que o diálogo construtivo entre a administração e os órgãos de controle é a melhor forma de servir ao interesse público. Estamos mais próximos de entregar ao Brasil não apenas uma usina, mas um legado de segurança energética, construído com responsabilidade, transparência e excelência técnica.