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Quando você precisa de um advogado, uma das primeiras decisões que você enfrenta é: qual tipo de escritório devo contratar? Há escritórios pequenos, com um ou dois advogados. Há escritórios médios, com dezenas de profissionais. Há grandes escritórios, com centenas de advogados e presença em múltiplas cidades. Qual é o certo para você?
A resposta não é simples. Porque não existe um escritório perfeito. Existe o escritório certo para suas necessidades específicas. E para descobrir qual é, você precisa entender as virtudes e fragilidades de cada tipo.
Comecemos com os escritórios pequenos.
Um escritório pequeno é tipicamente formado por um ou dois advogados, talvez com uma secretário. Eles trabalham em um espaço modesto, com custos operacionais baixos. Eles conhecem seus clientes pessoalmente. Frequentemente, você fala diretamente com o advogado que está trabalhando em seu caso.
Qual é a virtude de um escritório pequeno? A atenção personalizada. Você não é um número. Você é um cliente que o advogado conhece, que ele conversa regularmente, que ele entende profundamente. O advogado tem incentivo para fazer um bom trabalho porque sua reputação depende disso. Não há estrutura corporativa, não há burocracia, não há camadas de hierarquia. Decisões são tomadas rapidamente. Comunicação é direta.
Qual é a fragilidade? Capacidade limitada. Se você tem uma causa complexa que envolve múltiplas áreas de direito, um escritório pequeno pode não ter a expertise necessária. Se você tem múltiplas causas simultâneas, um escritório pequeno pode não ter a capacidade de lidar com todas. Se você precisa de presença em múltiplas cidades, um escritório pequeno não pode fornecer isso. Se o advogado fica doente ou indisponível, não há quem cubra. Se o advogado sai, você perde seu relacionamento.
Um escritório pequeno também pode ter dificuldade em lidar com grandes corporações ou órgãos governamentais que esperam uma estrutura mais formal. Pode ter dificuldade em lidar com causas que exigem pesquisa jurídica extensiva, análise de dados complexa, ou coordenação de múltiplos especialistas.
Agora, os escritórios médios.
Um escritório médio tipicamente tem mais de 20 advogados, com presença em uma ou duas cidades. Tem departamentos especializados: direito civil, direito comercial, direito trabalhista, etc. Tem estrutura administrativa: gerentes, coordenadores, pessoal de suporte. Tem processos e procedimentos estabelecidos.
Qual é a virtude? Equilíbrio. Um escritório médio tem capacidade suficiente para lidar com causas complexas que envolvem múltiplas áreas de direito. Tem expertise em múltiplas áreas. Tem redundância: se um advogado fica indisponível, há outro que pode cobrir. Tem recursos para pesquisa jurídica, análise de dados, coordenação de especialistas. Tem credibilidade com grandes corporações e órgãos governamentais. Mas ainda mantém uma certa agilidade. Ainda é possível conhecer os advogados pessoalmente. Ainda é possível ter uma relação relativamente direta com quem está trabalhando em seu caso.
Qual é a fragilidade? Complexidade. Um escritório médio tem mais estrutura, mais processos, mais hierarquia. Isso significa que às vezes as coisas se movem mais lentamente. Você pode não falar diretamente com o advogado que está trabalhando em seu caso. Pode haver camadas de comunicação. Pode haver custos mais altos porque há mais overhead. Pode haver menos flexibilidade porque há processos estabelecidos que precisam ser seguidos.
Um escritório médio também pode ter dificuldade em lidar com causas muito especializadas que exigem expertise muito específica. Pode ter dificuldade em lidar com causas que exigem presença em múltiplas cidades ou países. Pode ter dificuldade em lidar com clientes que exigem atenção muito personalizada porque há muitos clientes competindo pela atenção dos advogados.
Finalmente, os grandes escritórios.
Um grande escritório tipicamente tem mais de 100 advogados, com presença em múltiplas cidades ou países. Tem departamentos especializados em praticamente todas as áreas de direito. Tem estrutura administrativa complexa. Tem recursos significativos: bibliotecas jurídicas, sistemas de pesquisa avançados, equipes de análise de dados, consultores especializados.
Qual é a virtude? Recursos e alcance. Um grande escritório pode lidar com qualquer causa, por mais complexa que seja. Tem expertise em praticamente todas as áreas de direito. Tem presença em múltiplas cidades e países, o que é valioso se você tem negócios internacionais. Tem recursos para lidar com causas que exigem pesquisa extensiva, análise de dados complexa, coordenação de múltiplos especialistas. Tem credibilidade com os maiores clientes corporativos e com órgãos governamentais. Tem redundância significativa: se um advogado fica indisponível, há muitos outros que podem cobrir.
Qual é a fragilidade? Impessoalidade. Um grande escritório é uma máquina. Você é um cliente entre muitos. Você pode nunca conhecer pessoalmente o advogado que está trabalhando em seu caso. Pode haver múltiplas camadas de comunicação. Pode haver custos muito altos porque há muito overhead. Pode haver menos flexibilidade porque há processos estabelecidos que precisam ser seguidos. Pode haver menos atenção personalizada porque há muitos clientes competindo pela atenção dos advogados.
Um grande escritório também pode ter dificuldade em lidar com clientes pequenos ou com causas pequenas porque não é economicamente viável para eles. Pode ter dificuldade em lidar com clientes que exigem atenção muito personalizada. Pode ter dificuldade em se adaptar a situações não convencionais porque há processos estabelecidos que precisam ser seguidos.
Então, como escolher?
Comece perguntando: qual é a natureza da minha causa? Se é simples, se é em uma área de direito bem definida, um escritório pequeno pode ser suficiente. Se é complexa, se envolve múltiplas áreas de direito, um escritório médio é provavelmente melhor. Se é muito complexa, se envolve múltiplas jurisdições, se envolve coordenação de múltiplos especialistas, um grande escritório é provavelmente necessário.
Pergunte: qual é o meu orçamento? Escritórios pequenos são geralmente mais baratos. Escritórios médios são mais caros. Grandes escritórios são muito caros. Se seu orçamento é limitado, um escritório pequeno é provavelmente a melhor opção. Se seu orçamento é maior, você pode considerar um escritório médio ou grande.
Pergunte: qual é a minha necessidade de atenção personalizada? Se você precisa de muita atenção personalizada, se você quer falar diretamente com o advogado que está trabalhando em seu caso, um escritório pequeno é provavelmente melhor. Se você está confortável com uma relação mais formal, um escritório médio ou grande pode ser adequado.
Pergunte: qual é a minha necessidade de presença geográfica? Se você tem negócios em apenas uma cidade, um escritório pequeno ou médio pode ser suficiente. Se você tem negócios em múltiplas cidades ou países, um grande escritório é provavelmente necessário.
Pergunte: qual é a minha necessidade de expertise especializada? Se você precisa de expertise em uma área muito específica, você pode precisar de um escritório que é conhecido por sua especialização naquela área, independentemente do tamanho. Se você precisa de expertise em múltiplas áreas, um escritório médio ou grande é provavelmente melhor.
Pergunte: qual é o meu nível de conforto com a estrutura? Se você prefere uma estrutura simples, uma relação direta com um advogado, um escritório pequeno é provavelmente melhor. Se você está confortável com uma estrutura mais complexa, com processos estabelecidos, com múltiplas camadas de comunicação, um escritório médio ou grande pode ser adequado.
A verdade é que não existe um escritório perfeito. Existe o escritório certo para suas necessidades específicas. E a melhor forma de descobrir qual é, é fazer essas perguntas e ser honesto consigo mesmo sobre suas respostas.
Um último conselho: não escolha um escritório apenas pelo tamanho. Escolha pelo mais adequado. Escolha um escritório onde você se sente confortável, onde você sente que seus interesses estão sendo priorizados, onde você sente que há expertise para lidar com sua causa. Tamanho é apenas um fator. Não é o único fator.