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Existe um estereótipo cristalizado sobre o que é um bom advogado. É alguém agressivo. Combativo. Que vence a qualquer custo. Que não recua diante de ninguém. Que conhece todos os truques, todos os atalhos, todas as formas de contornar as regras. Que é brilhante em argumentação, capaz de convencer qualquer juiz de qualquer coisa.
Esse estereótipo está desatualizado. E, francamente, nunca foi completamente correto.
Porque as virtudes que realmente importam em um advogado são bem diferentes. E muitas delas não têm nada a ver com agressividade ou brilhantismo retórico.
Comecemos com a honestidade. Isso pode parecer óbvio, mas não é. Muitos advogados acreditam que sua lealdade é apenas com o cliente, e que isso significa fazer qualquer coisa para vencer. Mas a honestidade vai além disso. Significa ser honesto com o cliente sobre as chances reais de vitória. Significa ser honesto com o juiz. Significa ser honesto consigo mesmo sobre o que você realmente sabe e o que você não sabe.
Um advogado honesto diz ao cliente: "Você tem 30% de chance de ganhar". Não diz: "Você vai ganhar com certeza". Um advogado honesto reconhece quando está errado. Não tenta esconder seus erros ou culpar outros. Um advogado honesto recusa causas que ele não pode fazer bem, mesmo que isso signifique perder receita.
A honestidade é uma virtude porque ela constrói confiança. E confiança é mais valioso a longo prazo do que qualquer vitória individual.
Depois, há a humildade. Isso é especialmente importante em um mundo onde muitos advogados acreditam que são os mais inteligentes na sala. A humildade significa reconhecer que você não sabe tudo. Que há sempre algo novo para aprender. Que há sempre alguém que sabe mais do que você em algo.
Um advogado humilde ouve. Ouve o cliente, ouve o juiz, ouve o outro lado. Não assume que já sabe a resposta antes de ouvir a pergunta. Um advogado humilde está disposto a mudar de ideia quando apresentado com informações novas. Um advogado humilde reconhece quando está errado.
A humildade é uma virtude porque ela abre a porta para o aprendizado. E um advogado que para de aprender é um advogado que começa a ficar obsoleto.
Depois, há a empatia. Isso pode parecer estranho em um contexto jurídico. Mas a empatia é crucial. Significa entender o que o cliente realmente está passando. Não apenas entender o caso juridicamente, mas entender o impacto emocional, financeiro, pessoal que o caso está tendo na vida do cliente.
Um advogado empático não trata o cliente como um número. Não trata a causa como apenas um exercício legal abstrato. Entende que por trás de cada caso há uma pessoa real com preocupações reais. Um advogado empático comunica de forma clara, não em jargão incompreensível. Um advogado empático reconhece quando o cliente está assustado, quando está confuso, quando está frustrado, e responde de forma apropriada.
A empatia é uma virtude porque ela transforma a relação advogado-cliente de uma transação comercial para uma parceria real.
Depois, há a paciência. Muitos advogados são impacientes. Querem respostas rápidas, decisões rápidas, resultados rápidos. Mas o sistema jurídico não funciona assim. E os clientes frequentemente não funcionam assim. A paciência significa estar disposto a explicar as coisas múltiplas vezes. Significa estar disposto a esperar que o cliente processe informações. Significa estar disposto a trabalhar num processo longo e frequentemente frustrante.
Um advogado paciente não fica irritado quando o cliente faz a mesma pergunta pela terceira vez. Não fica frustrado quando o sistema jurídico se move lentamente. Não pressiona o cliente a tomar decisões antes de estar pronto. A paciência é uma virtude porque ela resulta em melhores decisões e em clientes mais satisfeitos.
Depois, há a criatividade. Isso é frequentemente negligenciado em discussões sobre virtudes jurídicas. Mas a criatividade é essencial. Significa pensar além das soluções óbvias. Significa encontrar formas inovadoras de resolver problemas. Significa ver conexões que outros não veem.
Um advogado criativo não apenas conhece a lei, mas sabe como aplicá-la de formas novas e inesperadas. Um advogado criativo encontra soluções que beneficiam o cliente mesmo quando a lei não é favorável. Um advogado criativo negocia acordos que funcionam para ambas as partes, não apenas para seu cliente.
A criatividade é uma virtude porque ela transforma um advogado de alguém que conhece as regras para alguém que sabe como trabalhar dentro das regras para alcançar resultados melhores.
Depois, há a integridade. Isso é diferente de honestidade. Integridade significa que seus valores e suas ações estão alinhados. Significa que você faz a coisa certa mesmo quando ninguém está observando. Significa que você recusa causas que você acha que não pode colaborar, mesmo que sejam lucrativas. Significa que você não compromete seus princípios para ganhar um caso.
Um advogado com integridade é alguém em quem você pode confiar. Não porque ele vai ganhar seu caso a qualquer custo, mas porque ele vai fazer a coisa certa.
A integridade é uma virtude porque ela constrói reputação. E reputação é o ativo mais valioso que um advogado pode ter.
Depois, há a comunicação. Muitos advogados são péssimos comunicadores. Falam em jargão. Não ouvem. Não explicam as coisas de forma clara. Mas um bom advogado é um comunicador excelente. Consegue explicar conceitos legais complexos de forma que um leigo entenda. Consegue ouvir o que o cliente realmente está dizendo, não apenas o que está sendo dito literalmente. Consegue comunicar de forma clara e concisa.
A comunicação é uma virtude porque ela transforma a relação advogado-cliente. Em vez de o cliente se sentir confuso e excluído, o cliente se sente informado e envolvido.
Finalmente, há a coragem. Não a coragem de ser agressivo ou combativo. Mas a coragem de fazer a coisa certa mesmo quando é difícil. A coragem de dizer não ao cliente quando você acha que ele está errado. A coragem de questionar o juiz quando você acha que ele está errado. A coragem de recusar uma causa. A coragem de admitir quando você não sabe algo.
A coragem é uma virtude porque ela transforma um advogado de alguém que segue as regras para alguém que tem a coragem de questionar as regras quando apropriado.
Então, qual é o bom advogado? Não é o que é mais agressivo. Não é o que vence a qualquer custo. É o que é honesto, humilde, empático, paciente, criativo, íntegro, comunicativo e corajoso. É o que coloca o interesse do cliente acima do seu próprio. É o que faz a coisa certa mesmo quando é difícil. É o que constrói relacionamentos baseados em confiança, não em medo.